"As seis Lições" de Ludwig von Mises completam 50 anos

 

No final de 1958 Ludwig von Mises, um dos mais distintos pensadores liberais do século XX, proferiu seis conferências em Buenos Aires, Argentina, sobre uma política econômica liberal. Nessa época a Argentina se encontrava no começo de uma democracia fraca após anos sob a ditadura de Juan Domingo Peron. A ideia foi apresentar as bases do liberalismo a um público muito amplo, além dos círculos de especialistas que normalmente participam de debates sobre temas econômicos e sociais. Por isso, Mises utilizou uma linguagem bastante acessível. Também usou muitos exemplos concretos e corriqueiros para ilustrar as suas ideias. E, como sempre, não usou modelos matemáticos complicados.

 

Em 1979, seis anos após a morte de Ludwig von Mises, a sua viúva decidiu publicar as conferências, que mais tarde se tornaram bem conhecidas entre os Liberais, com o título: "Seis lições" enquanto que o tema oficial do livro foi (em português) "Política econômica - pensamentos para hoje e amanhã". Os seis capítulos ou "lições" do livro se chamam: "Capitalismo", "Socialismo", "Intervencionismo", “Inflação", "Investimento estrangeiro" e "Política e ideias".

 

Cinquenta anos depois da visita de Ludwig von Mises à Buenos Aires, vale a pena recordar-se das suas lições. Por serem escritas numa linguagem fácil, elas apresentam uma introdução muito boa ao pensamento liberal para iniciantes que querem se familiarizar com o liberalismo. Felizmente existe uma tradução para o português, feita pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro, onde ainda se pode comprar o livro, que tem menos do que 100 páginas.    

 

Para mencionar só um exemplo da riqueza do pensamento de Ludwig von Mises, gostaria de repetir algumas frases da lição sobre o socialismo, onde ele corrige o falso preconceito respaldado pela esquerda, de que os empresários governam num mundo capitalista:

 

"Liberdade na sociedade significa que um homem depende tanto dos demais como estes dependem dele. A sociedade, quando regida pela economia de mercado, pelas condições da economia livre, apresenta uma situação em que todos prestam serviços aos seus concidadãos e são, em contrapartida, por eles servidos. Acredita-se que existem na economia de mercado chefões do sistema econômico que não dependem da boa vontade e do apoio dos demais cidadãos. Os capitães de indústria, os homens de negócios, os empresários seriam os verdadeiros chefões do sistema econômico. Mas isso é uma ilusão. Quem manda no sistema econômico são os consumidores. Se estes deixam de prestigiar um ramo de atividades, os empresários deste ramo são compelidos ou a abandonar sua eminente posição no sistema econômico, ou a ajustar suas ações aos desejos e às ordens dos consumidores".

 

Resta ainda mencionar algumas dados sobre a vida de Ludwig von Mises. Nascido em 1881 na cidade de Lemberg (que nessa época fazia parte do Império Austro-Húngaro, ao passo que hoje fica na Ucrânia) graduou-se em Direito e depois em Economia na Universidade de Viena. Já na Áustria, depois da Primeira Guerra Mundial, foi difícil para ele, tanto como Liberal tanto como judeu, fazer uma carreira universitária. Em 1934 deixou a Áustria para viver primeiro na Suíça e depois, a partir de 1940, nos Estados Unidos da América, onde novamente teve que lutar para arranjar um trabalho adequado. Só em 1949, já com 68 anos, foi nomeado professor em uma das universidades de Nova York. Terminou a sua carreira universitária com 87 anos, em 1969, e morreu em Nova York em 1973. Ludwig von Mises é um dos representantes mais extraordinários da chamada "Escola Austríaca" de Economia. Entre as suas publicações se encontram os seguintes títulos traduzidos para o português: "Socialismo" (1922), "Liberalismo" (1927), "Burocracia" (1944) "Ação humana (1949), "A mentalidade anti-capitalista" (1956) e "Teoria e história" (1957).

 

Rainer Erkens, Diretor Executivo - Instituto Friedrich Naumann para a Liberdade

 

Para adquirir o livro, entre em contato com o Instituto Liberal do Rio de Janeiro:

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